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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

marinheiro

ainda que o mar contasse das ondas
ainda que as velhas fosse jovens
e as sereias malditas não trouxessem o corpo
ainda assim, te amaria marinheiro
sem saber quem é

sábado, 4 de janeiro de 2014

mãe, filha, e sagrada, amém


de todas sou todas
ao mesmo sou nenhuma
estou em tudo e 
consigo ser nada
e invisível aos olhos
luto
estando em cada 

morro mil vezes
e renasço
não mais forte
e sim, mais eu

minha vagina supérflua
pariu tudo que habita
e recebeu o esperma do mundo macho
tudo o que pode
mesmo sem querer

fui o lixo
fui a DEUSA
fui o êxtase e 
fui a dor

dualidade de uma só face
trindade de um só ser
mãe
filha
e sagrada,
AMÉM

extirpação


tenho pressa porque arrancaram
meus filhos
meu clitóris
meu prazer
me estupraram

estou morrendo
não sei se depressa 
ou aos poucos
estou morrendo

não tenho hora marcada no dentista
o meu celular quebrou faz tempo
de onde estou não posso falar
é inútil lutar

não me olham nos olhos
se o fizessem teriam piedade
não têm

criação


não quero nascer
quero continuar aqui
o silêncio é minha casa
o mundo lá fora já me feriu
eu tenho culpa
mas não quero mais 

cântico ou cântigo?


 dorme, meu filho
que morreu antes de nascer
dormem os que nunca serão filhos
de ninguém

acordados estão
apenas os filhos rejeitados
os não desejados
os ejetados e enjeitados
da criação

dorme, meu filho
que é amado
e dorme no ventre fecundo
protegido do mundo
que não quer nem a mim